A Talassemia tem dois tipos mais comuns: a Talassemia Minor e a Talassemia Major. Geralmente os portadores da Talassemia Minor não precisam fazer nenhum tratamento, exceto alguns casos durante a gravidez ou quando ocorre uma doença associada. Já a Talassemia Major requer tratamento cuidadoso. Vitaminas, tônicos, medicamentos e dietas não têm efeito na talassemia. É preciso fazer a transfusão de sangue, a cada 2 a 4 semanas, a fim de corrigir a anemia e garantir que os tecidos recebam uma quantidade normal de oxigênio. As transfusões contínuas trazem o acúmulo de ferro, que pode se depositar no coração, fígado e outros órgãos vitais, podendo causar danos irreversíveis. A única droga que é usada regularmente no momento para extrair o ferro do corpo é a deferoxamina, também chamada Desferal. Esse remédio é injetado no paciente, e tem ação mais eficiente quando aplicado o maior tempo possível. Para isso se usa um aparelho chamado Bomba de Infusão, que permite prolongar a aplicação do Desferal. Reações ao Regime TransfusionalOs pacientes talassêmicos major precisam passar por transfusões regulares de sangue, administradas em intervalos de duas a cinco semanas, a fim de manter o nível de hemoglobina pré-transfusão acima de 9-10,5 g/dl. Esses pacientes recebem um volume de hemácias de 15-17 ml/kg. Cada bolsa de sangue (350 ml) tem entre 60% e 70% de hemácias, por isso, a doação de sangue é extremamente importante para esses pacientes. No entanto, por meio das transfusões de sangue, pode haver a transmissão de agentes infecciosos (vírus, bactérias e parasitas), que é a 2ª causa de morte dos pacientes com talassemia, só atrás das complicações cardíacas decorrentes do acúmulo de ferro no miocárdio. Entre esses agentes infecciosos está o vírus da Hepatite C e o HIV, o vírus da Aids. Hepatite C A hepatite C é uam inflamação do fígado causada pelo vírus VHC. É conhecida como "epidemia silenciosa", já que progride lentamente durante anos. A minoria dos indivíduos infectados têm os sintomas. Quando sentem, são somente percebidos dez ou 20 anos após terem sido contaminados, o que dificulta o tratamento. de pública. Segundo estimativas da OMS, existem 300 milhões de pessoas contaminadas no mundo. Uma vez que o vírus VHC infecta o sangue do indivíduo, ele se instala nas células do fígado e começa a se desenvolver rapidamente. O estágio inicial é chamado de hepatite aguda. Durante esse estágio, que pode durar até seis meses, a maioria dos pacientes não apresenta nenhum sintoma. Entretanto, algumas pessoas sentem cansaço, fraqueza, falta de apetite e icterícia (acúmulo de bilirrubina no sangue, usada pelo fígado para produzir a bile, substância que auxilia o intestino a digerir a gordura). Elas também podem reclamar de dores abdominais. A maioria dos indivíduos infectados não é capaz de curar a hepatite aguda espontaneamente, sem que haja a necessidade de terapia antiviral. A probabilidade é que, em 80% dos casos, a infecção progrida para um estágio crônico. A hepatite crônica C progride a taxas mais lentas, freqüentemente em um período de dez a 30 anos. Quanto maior o tempo de permanência do vírus no sangue, maior é o dano causado ao fígado. Se o VHC não for tratado, ele pode levar a uma cirrose hepática, câncer ou morte. Aproximadamente 20% dos pacientes com doença crônica progridem para a cirrose, 20 a 25 anos após a infecção inicial. A cirrose é uma complicação grave. Por ano, cerca de 1% a 4% dos pacientes com cirrose evoluem para o câncer de fígado. Principais vias de transmissão - Transfusão de sangue e derivados de sangue contaminados (comum em pessoas que receberam a transfusão de sangue antes de 1992 e que devem fazer o exame para ver se são portadoras do vírus. Depois de 92, os bancos de sangue começaram a testar as bolsas de sangue para detectar o vírus); - Transplantes de órgãos e tecidos; - Agulhas, seringas ou ferimentos; - Usuários de drogas injetáveis ou aspiradas; - Hemodiálise; - Cortes e ferimentos (somente se houver o contato do sangue de um indivíduo sadio com sangue contaminado) - Transmissão na gestação ou parto; - Tatuagens e piercings, entre outras. Sintomas e diagnóstico Na fase aguda da infecção, os sintomas são leves ou ausentes, por isso, ela raramente é diagnosticada nesse período. Os sintomas da infecção crônica também são leves, pelo menos no início. Assim, é comum o portador conviver vários anos com a doença sem saber que a possui. Nos casos em que o paciente apresenta sintomas, esses podem ser síndrome gripal, fadiga, falta de apetite, náuseas, vômito, febre e dores abdominais leves. É importante ressaltar que ainda que sejam apresentados dois ou três dos sintomas citados, não quer dizer que a pessoa esteja contaminada com o vírus. A única maneira de saber com certeza é fazendo o exame de sangue. Prevenção - Não existe vacina contra a hepatite C; - É imprescindível saber que a única forma de transmissão é pelo contato com sangue contaminado. Assim, compartilhar domicílio, almoçar na mesma mesa, abraço ou beijo não são atitudes de risco; - O uso de seringas compartilhadas deve ser totalmente desencorajado, já que é responsável por grande parte dos casos de contaminação; - Cuidado com materiais que possam conter sangue contaminado, como alicates de unha, barbeadores e escovas de dente; - Tatuagens e piercings feitos com agulhas contaminadas também transmitem o vírus. Somente a esterilização desses materiais é capaz de eliminar totalmente o vírus; - Em bancos de sangue, todo o sangue coletado é testado para assegurar que ele e seus derivados estão livres do vírus. O sangue dos doadores de órgãos, tecidos ou sêmen também são testados. Tratamento O tratamento da hepatite C evoluiu nos últimos anos com o desenvolvimento de drogas que aumentaram muito as chances de cura dos pacientes. O objetivo do tratamento é eliminar o vírus do sangue e fazer com que a proliferação do VHC seja mais lenta. Consulte seu médico. HIV A incidência da infecção por HIV, o vírus da Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), depende da qualidade dos programas de saúde pública. De 1980 a 2002, foram 2.667 casos de contaminação por transfusão e 257.780 casos de Aids no país*. Estima-se que uma bolsa contaminada possa infectar cerca de duas pessoas. No Brasil, o risco é de uma bolsa de sangue contaminada para cada 60 mil ou 80 mil. A doença pode levar até dez anos para aparecer. O HIV destrói as células de defesa do corpo, os chamados glóbulos brancos. O organismo enfraquece, e várias doenças podem se manifestar: são as chamadas doenças oportunistas.
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