Hemope utiliza sistema de geoprocessamento aplicado à hemoterapia.
O uso de informações fidedignas sobre a realidade é condição básica para o planejamento e gestão de qualquer atividade, inclusive na esfera pública da saúde. Na área de sangue e hemoderivados, conhecer a distribuição espacial dos serviços e da clientela atendida é essencial para o aperfeiçoamento do atendimento às demandas da sociedade. Em Pernambuco, a Fundação Hemope, vinculada ao governo do estado e responsável pela prestação de serviços na área de hematologia e hemoterapia, passou a contar com um sistema de informações que utiliza ferramentas de geoprocessamento. O novo Sistema de Informação Geográfica (SIG), como é chamado, propicia, por exemplo, a construção de mapas temáticos e, a partir deles, o conhecimento dos deslocamentos, da origem e do destino dos pacientes em relação aos hemocentros, do volume de demanda por insumos, como plasma e hemácias, e da estrutura disponível em cada unidade que compõe a hemorrede pernambucana. Esse novo SIG foi desenvolvido pela Fiocruz Pernambuco, em parceria com a equipe técnico-administrativa do Hemope. A hemorrede pernambucana é formada por um centro coordenador, situado no Recife, cinco hemocentros regionais (Caruaru, Garanhuns, Palmares, Petrolina e Serra Talhada) e quatro núcleos de hemoterapia, além de 20 agências transfusionais, 13 situadas no Grande Recife e outras sete no interior do estado. Em 2006, contabilizou 119.719 coletas de sangue. Em 2007, o número caiu para 96.229 doações. “A transferência da tecnologia desenvolvida pela Fiocruz foi de extrema relevância para a obtenção e manutenção de numerosas informações da nossa hemorrede estadual”, comentou Fátima Bandeira, diretora de Articulação da Fundação Hemope. Ela conta, ainda, que a utilização do sistema de geoprocessamento aplicado à área de hemoterapia vai possibilitar um maior conhecimento da rede e de seus usuários em todo o estado, permitindo a análise e geração de medidas de adequação desses centros às reais necessidades das regiões onde eles se encontram. Programa indica origem dos doadores de sangue Utilizando o software livre TerraView, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o projeto reuniu bases de dados cartográficas (mapas de Pernambuco) e dados cadastrais do Hemope relativas a 2006, associando as informações geradas por cada unidade da rede de hemocentros à posição geográfica de seus lugares de origem. A cada ponto (que corresponde a uma unidade da rede) foram associadas variáveis como a quantidade de bolsas de sangue coletadas, a produção dos principais hemocomponentes, o número de amostras para realização de testes de triagem sangüínea (sorologia), o fluxo de plasma para a produção de hemoderivados e a quantidade de hemocomponentes enviados para as agências transfusionais, entre outras informações. A partir dessa convergência de informações, foi possível identificar a origem e o fluxo dos pacientes por ponto da rede, ou seja, de que lugares eles vinham para doar sangue. “Também trabalhamos com um pouco de logística da distribuição, tabulando as distâncias entre as unidades e o tempo em que os insumos levavam para serem deslocados de uma para outra, pois muitos dos insumos chegam de ônibus ao Recife, onde fica situado o hemocentro central. Então, todas as variáveis relativas a esse requisito, como o tempo e a freqüência das viagens, também tiveram que ser consideradas”, ilustrou Constantino Silveira, pesquisador colaborador que participou do desenvolvimento desse novo SIG. O banco de dados gerado pelo sistema está em fase inicial de atualização dos dados e será mantido por meio da alimentação do Sistema de Informações do Banco de Sangue existente nos serviços da hemorrede de Pernambuco. Para as unidades hemoterápicas que ainda não estão integradas ao sistema, foi desenvolvida uma forma simplificada de obtenção de informações essenciais para a alimentação do sistema de geoprocessamento que, a partir da transferência da tecnologia, está sendo feita pela equipe técnica do Hemope. Com base no sistema, os gestores do Hemope estão habilitados a calcular o tempo que um insumo leva para chegar, por exemplo, de Garanhuns, onde há um hemocentro regional, ao Recife. Também serão capazes de verificar os lugares onde há maior demanda pelos hemocomponentes, podendo modificar a lógica de produção e distribuição ou até planejar campanhas junto à população dos lugares que mais necessitam da matéria prima: a doação de sangue. De acordo com Tiago Lapa, coordenador-executivo do projeto e pesquisador da Fiocruz Pernambuco, o uso de ferramentas de geoprocessamento neste contexto vai auxiliar o Hemope a atingir o objetivo de suprir com qualidade as necessidades de saúde da população. “Com o sistema, será possível delimitar áreas de abrangência das unidades que compõem a hemorrede, fazendo com que os insumos sejam empregados efetivamente, além de garantir o atendimento da demanda de sangue e de hemocomponentes, assegurando a saúde do doador, do receptor e dos profissionais envolvidos na prática hemoterápica”, explicou. O sistema de informação geográfica foi desenvolvido em um ano e meio e teve financiamento do Fundo Nacional de Saúde, por meio de um convênio entre o Ministério da Saúde e o Hemope. Da caça ao Aedes a deslizamentos: diferentes possibilidades de uso são diferencial do Sistema Os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) e de análise espacial vêm sendo cada vez mais utilizados pela saúde pública. Por associar dados ambientais e sociais aos dados sobre saúde, permitem caracterizar e quantificar possíveis determinantes de agravos e de outros eventos relacionados à saúde da população. As possibilidades de utilização dessas abordagens ampliam a capacidade de análise do processo saúde-doença e têm potencial para utilização na análise e tomada de decisão sobre as prioridades de investimento e sobre as práticas de vigilância em saúde, como é o caso do Sistema de Monitoramento e Controle Populacional do Vetor da Dengue (SMCP-Aedes). Mapas gerados pelo sistema que auxiliam no monitoramento do mosquito da dengue A metodologia, desenvolvida pela rede Sistema de Apoio Unificado para Detecção e Acompanhamento em Vigilância Epidemiológica (Saudavel), da qual a Fiocruz Pernambuco faz parte, é totalmente baseada nessa tecnologia. Atualmente, ela está sendo utilizada pela Secretaria de Saúde em duas cidades – Ipojuca, no litoral sul, e Santa Cruz do Capibaribe, na região Agreste –, com o objetivo de controlar o vetor da dengue sem a utilização de larvicidas químicos. Testado com sucesso em cinco áreas do Recife – Engenho do Meio, Casa Forte/Parnamirim, Morro da Conceição/Alto José do Pinho, Dois Irmãos/Sítio dos Pintos e Brasília Teimosa –, o SMCP-Aedes possibilitou a montagem de mapas com as “áreas quentes”, locais onde foram encontrados mais ovos do mosquito, contribuindo para retirar cerca de 12 milhões destes do meio ambiente. A ferramenta também foi transferida para o Programa Guarda-Chuva da Comissão de Defesa Civil (Codecir) da Prefeitura do Recife, sendo um dos instrumentos empregados na identificação de locais sujeitos a deslizamentos e inundações. “O sistema amplia a capacidade de monitoramento e prevenção de acidentes nos morros da capital pernambucana, por integrar, num sistema de visualização em três dimensões, imagens de satélite, bases de dados e imagens de logradouros”, explicou Wayner Souza, que coordenou os projetos que envolvem os SIG da Fiocruz Pernambuco.
Fonte: Agência Fiocruz de Notícias, 22/7/2008
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