NOTA TÉCNICA – COMITÊ CIENTÍFICO ABRASTA – VK-500

O medicamento VK-500 foi apresentado há dois anos através do Orkut à comunidade de pacientes de Anemia Falciforme, pelo Sr. Luis Fernando (que se apresenta como pai de paciente e  Presidente da Associação Angolana de Pessoas com Anemia Falciforme),  O Sr Luiz Fernando apresentou no Orkut o medicamento como sendo excelente para o tratamento das doenças falciformes. No evento do Rio de Janeiro em 2006 fomos contactados pelo Sr. Luiz Fernando, o MS ofereceu um espaço para discussão com a câmara técnica de hemoglobinopatias tendo sido solicitado um dossiê científico do medicamento. O dossiê não foi enviado e a delegação angolana não compareceu.

Até a presente data, não houve qualquer tentativa de submissão do medicamento às normas brasileiras e a comunidade médica alerta aos pacientes que não adquiram o VK500 de forma ilícita, pois existe um risco bastante significativo de que estejam sendo vítimas de pessoas de má fé que se aproximam dos indivíduos acenando com a possibilidade de cura da doença apenas com interesses financeiros.

O medicamento é registrado no INPI Francês e através da página www.inpi.fr,  link: http://fr.espacenet.com/publicationDetails/biblio?CC=FR&NR=2855056A1&KC=A1&DB=fr.espacenet.com&locale=fr_FR.Através deste link pode-se obter  acesso a dois relatórios apresentados ao INPI Francês pelo Dr. Jerome Fagla Medegan, nos quais ele explica basicamente o que é a Doença Falciforme (Depranocitose) e o que a mesma causa aos seus portadores, e também, apresenta o medicamento e toda a forma como o mesmo é feito, como as plantas são extraídas, etc.. Importante salientar que o medicamento está registrado para anemia falciforme e AIDS.

As plantas utilizadas na confecção do medicamento são:
Fagara xanthoxyloides, ,Securidaca longepedonculata, Uvaria chamae, Rauwolfia vomitoria, Citrus aurantifolia, Phyllanthus niruri, Flacourtia flavescens, Adansonia digitata.

Não há informação sobre concentração de cada erva. O numero de registro que existe na caixa do medicamento não tem rastreabilidade, ou seja não se pode comprovar sua procedência.
Trata-se, portanto, de um fitoterápico conhecido na África como remédio da medicina tradicional, feita por curandeiros.

Ë importante ressaltar que o registro Frances não significa que o medicamento está liberado para uso na França mais apenas que possui uma patente e que o nome é protegido por 20 anos.
O VK 500 não é registrado nem utilizado no Benin nem em toda a África do Oeste nem por pacientes nem pela comunidade médica. O VK 500 é utilizado apenas em Angola.
Não há qualquer publicação científica no mundo ou na África que comprove sua eficácia, toda a informação é fornecida através da imprensa leiga.

A única informação cientifica de que dispomos sobre o VK500 foi dada publicamente num evento promovido pela OILD (Organisation Internationale de Lutte contre La Drépanocytose) em Paris em 30 de junho de 2007 pelo Prof. Gilbert Tchernia gilbert.tchernia@bct.ap-hop-paris.fr. Ele informou que havia conduzido uma pesquisa utilizando animais falciformes transgênicos e que o VK500 não demonstrou qualquer atividade que possa estimular sua utilização. Com esta informação o medicamento não tem sua eficácia comprovada.

Até a presente data a única droga recomendada para alívio dos sintomas dos pacientes com Doença falciforme é a Hidroxiureia e a única forma de cura é o transplante alogênico de medula óssea. Existem, entretanto, critérios para incluir o paciente em qualquer das duas alternativas terapêuticas. Os pacientes devem procurar os seus centros de tratamento e conversar com o médico responsável sobre estas alternativas.
Dra. Clarisse Lobo

Comentários – Médicos Comitê Científico ABRASTA:

A nota técnica está muito clara e muito bem embasada. Apenas uma correção. A cura com transplante de medula óssea não é o Autólogo mas o Alogênico. O Autólogo restauraria a mesma medula óssea portanto a mesma eritropoiese defeituosa da anemia falciforme. Na forma Alogênica buscar-se -ia um doador compatível sem doença falciforme (pode ter traço) para transplantar a medula óssea e criar uma hematopoiese normal.
Giorgio Baldanzi

Concordo com o Giorgio, a nota técnica está clara e objetiva. Mudar somente o tipo de transplante, como já comentado.
Abs
Sandra Loggetto

Concordo com a nota técnica da Clarisse e com as observações de Giorgio e Sandra.
Aderson Araújo

Com mais calma fiz outras correções sobre o excelente texto da Dra Clarisse. São apenas algumas correções de linguagem sem mexida no conteúdo.
Acho que agora está pronto para a revisão final e divulgação ampla no nosso tie e na revista da Abrasta.
Sugiro uma matéria tipo entrevista com a Dra Clarisse, se ela aceitar.
Um abraço
Aderson

Concordo com a opinião unânime de todos.
Fabron

Concordo com as colocações anteriores e acredito que esta nota técnica disponibilizada no site da Abrasta esclareça  a nossa população de pacientes.
Também concordo com esta nota técnica e com as correções realizadas.
Um abraço a todos,
Mônica Verissimo

Estou totalmente de acordo.
Nelson Hamerschlak

Está ótimo, muito clara e concordo que deva ser amplamente divulgada.
Sugiro apenas pequenas correções de digitação: "doenças falciformes" na 5a linha, "aos pacientes" e "bastante significativo" no 2o parágrafo e "incluir o paciente" no último parágrafo.
Kleber

Voltar    Imprimir