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Mitos e Esclarecimentos

Mitos, verdades e esclarecimentos sobre Talassemia

A despeito de tudo o que já foi estudado e é conhecido sobre a Talassemia hoje, algumas pessoas portadoras da doença – e seus parentes – ainda têm muitas dúvidas. Verifique abaixo o que é mito e o que necessita ser esclarecido definitivamente.


A Talassemia é contagiosa

MITO

É uma anemia hereditária, causada por um defeito genético o qual é herdada de um ou de ambos os pais. Assim, não é contagioso como as doenças causadas por vírus, bactérias ou fungos.



A anemia do paciente – já que é crônica – pode se tornar uma leucemia

MITO

Muitas pessoas se acostumaram a acreditar nisto e a associar – erroneamente – as duas doenças. A anemia pode ser um sintoma das leucemias (um tipo de câncer no sangue). Entretanto, a causa do estado de um quadro qualquer de anemia (como por exemplo a talassemia) não é uma causa de leucemia.


Para ajudar a conter o excesso de ferro, é necessário ter cuidado com o que se alimenta

MITO

A pessoa com talassemia não necessita de uma dieta especial, e nada pode substituir os agentes quelantes na luta por reduzir o ferro que se acumula no organismo. Apenas cuidado com a alimentação não será capaz de fazer uma diferença no momento de se reduzir os níveis desse mineral no sangue.

Contudo, a recomendação é de evitar – mas não banir completamente da dieta – alimentos ricos em ferro, tais como carne vermelha; por outro lado, aposte naqueles alimentos que ajudam a inibir a absorção do ferro, tais como leite e chá preto. É também importante adicionar frutas e vegetais à dieta.


É verdade que infecções fúngicas na boca são sinais de sobrecarga de ferro no organismo?

MITO

Os sinais de excesso de ferro são usualmente: o escurecimento da pele, diabetes, cansaço causado por acometimento cardíaco.

Apenas exames específicos, como a dosagem de Ferritina no sangue e a Ressonância com T2*, são capazes de confirmar a suspeita.


Pessoas com talassemia têm apetite maior do que o usual

MITO

O aumento do apetite pode ocorrer apenas como um efeito colateral nas pessoas que utilizam quelação com deferiprone (the Ferriprox®).


Pessoas com talassemia podem praticar atividades físicas

VERDADE

Se a pessoa com talassemia se submete a transfusões regulares, manterá seus níveis de hemoglobina e se - conjuntamente com a quelação ideal – a pessoa evita os riscos de sobrecarga cardíaca, pode portanto exercitar-se, sem preocupações excessivas (exceto por limitações a algumas atividades ocasionadas pela Osteoporose). A única restrição ocorre em caso de pessoas com o baço aumentado, as quais deveriam evitar atividades que facilitem traumas à região abdominal e, com isso, a possibilidade de sua ruptura.


Viagens são permitidas, mas deve-se ter cuidado em altitudes superiores a 3300 metros

VERDADE

A pessoa com talassemia pode transferir seu tratamento para qualquer centro mais próximo ao qual estará, e viajar sem grandes preocupações. O ideal é entrar em contato com o local de destino, informando-se previamente com os médicos responsáveis pelo serviço local.

(Verifique as opções no link Centros de Tratamento). Em grandes altitudes, contudo, se a hemoglobina está muito baixa, a pessoa com talassemia pode se sentir mais cansado, e apresentar dispneia (dificuldade respiratória). Isso ocorre porque, nesses locais, o ar é rarefeito – isto é, há menos oxigênio disponível para a hemoglobina em altitudes elevadas. Em uma tentativa de compensação, o coração passa a bater mais rápido e a respiração se torna mais frequente. Uma vez que a Talassemia se caracteriza pela menor concentração da hemoglobina no sangue – e a dificuldade de uma hemoglobina malformada de sobreviver e transportar adequadamente o oxigênio para as células – compreende-se que sua baixa disponibilidade no ambiente pode causar doenças.


A vacina contra a gripe, incluindo a H1N1, devem ser evitadas

MITO

Como boa parte da população, as pessoas com talassemia podem e devem ser vacinados, especialmente no tocante às doenças transmitidas pelo sangue, como Hepatite B. As vacinas protegem o organismo contra exposição futura a doenças, por exemplo, durante uma transfusão.


Pessoas com talassemia têm maior chance de contrair a Dengue

MITO

Os riscos são os mesmos aos de qualquer pessoa exposta a um ambiente com presença do mosquito. Por outro lado, a talassemia e suas complicações podem deixar a pessoa com talassemia mais frágil a cardiopatias, diabetes, osteoporose, trombose, hipertensão pulmonar, entre outras doenças.


Em consequência à transfusão, pode haver uma mudança no DNA da pessoa que recebe sangue

MITO

O DNA – também chamado à molécula da vida – está presente em cada uma das 100 trilhões de células do ser humano, sejam células do sangue ou de outros órgãos. Cada célula transporta toda a informação genética que dá origem a uma determinada pessoa – desde sua aparência física ate sua predisposição a doenças. Cada ser humano tem seu DNA próprio. Por isso, os testes de DNA são utilizados para se determinar, por exemplo, a paternidade. O DNA somente pode ser modificado mediante a terapia gênica, uma intervenção ainda revolucionária na Medicina, que atualmente está em fase de estudos.

Entretanto, qualquer exame realizado no sangue da pessoa com talassemia refletirá tanto o conteúdo do seu próprio sangue como o do sangue recebido. Por essa razão, na necessidade de se fazer, por exemplo, um exame de DNA em uma pessoa com talassemia, deverão ser colhidos outros materiais – como, por exemplo, células provenientes do cabelo ou da mucosa da boca.


Descoloração amarela da pele pode ser um sintoma de sangue não compatível

VERDADE

(Mas a própria doença pode contribuir para a icterícia). Esta reação é causada, na maioria dos casos, pela hemólise – destruição das hemácias (células vermelhas do sangue) – seguida do metabolismo da hemoglobina (no fígado), que produz por consequência a Bilirrubina. A Bilirrubina tem uma coloração amarela, e é liberada no sangue. As hemácias incompatíveis eventualmente transfundidas são destruídas mais rapidamente que o normal. Assim, quanto mais uma pessoa com talassemia recebe sangue incompatível, maior a chance de hemólise, pior o resultado final da transfusão, e maior o risco da icterícia.

Outra condição que pode levar a esta mudança de aparência é a Doença de Gilbert. Esta doença é mais comum entre a pessoas com talassemia, e também resulta um aumento na produção da Bilirrubina, pois afeta diretamente o metabolismo hepático.

A bilirrubina impregnada no organismo afeta a conjuntiva e a pele, sendo mais visível nesses locais, particularmente nas pessoas de tez branca. Para reduzir essa coloração amarela, deve-se realizar banhos de sol (a Bilirrubina se destrói pela ação das ondas do sol), e evitar bebidas alcoólicas (o álcool sobrecarrega o sistema metabólico hepático, favorecendo aumento na produção de bilirrubina).


Mulheres com talassemia não podem engravidar

MITO

Antes de tudo, é crucial estar seguro de que a pessoa com talassemia não tem complicações inerentes à doença de base (talassemia).

O médico hematologista necessita acompanhar de perto o trabalho do obstetra, para guiá-lo, em alguns casos, por exemplo, informando sobre o risco aumentado que a talassemia resulta em aumento do risco de trombose (problema que já requer atenção em qualquer gravidez, devido às mudanças hormonais nessa fase da vida – mesmo em pacientes saudáveis – já que o surgimento de coágulos (trombos) pode bloquear a corrente sanguínea). A terapia quelante deve então ser suspensa pelo menos durante os primeiros 3 meses, o que evita consequências ao feto. Os níveis de hemoglobina devem ser monitorizados.


Tratamento hormonal de substituição e uso de contraceptivos deve apenas ser indicado após avaliação de risco e benefício

VERDADE

O uso de hormônios aumenta o risco de trombose; dessa maneira, deve ser indicado apenas após avaliação da história familiar e do estado clínico da pessoa talassêmica, uma vez que esta anemia crônica por si só já favorece o surgimento de trombos (coágulos) no sangue.





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