Pacientes de Pernambuco e Rio de Janeiro têm dificuldades para conseguir Desferal


Há meses os portadores de talassemia major dos Estados de Pernambuco e Rio de Janeiro sofrem com a falta de Desferal, que deveria ser distribuído pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O não fornecimento desse medicamento pela rede pública de saúde é ilegal, pois contraria o que determina a lei 8080, de 19 de setembro de 1990 e a portaria nº 531, de 30 de abril de 1999 (36.101.01-0 e 36.101.02-8).

O paciente Fernando Sabino, de Recife (PE), não se lembra de quando recebeu o Desferal do HEMOPE (Hemocentro de Pernambuco) pela última vez. “Faz mais de seis meses. O descaso com os pacientes que precisam de Desferal é revoltante”, explica. A grande maioria dos portadores de talassemia interrompeu o tratamento pois não tem condições financeiras de comprar o medicamento. “Gostaria que os governantes olhassem mais para os pacientes de talassemia daqui de Pernambuco. A gente se esforça para seguir o tratamento adequado, mas não consegue porque falta bombinha, Desferal, filtros de leucócitos e por aí vai”, desabafa Sabino.

Rodrigo Menezes, que também mora em Recife, escreveu para a ABRASTA para pedir ajuda: “Eu e minha irmã, Vanessa, não tomamos Desferal há uns três meses por falta de medicamento no HEMOPE, por isso gostaríamos de uma ajuda da ABRASTA para cobrar do governo e/ou enviar os medicamentos”.

De acordo com o hematologista dr. Aderson, ex-presidente do HEMOPE, o Ministério da Saúde destina ao hemocentro apenas 1/3 do valor do medicamento. Esse valor deveria ser completado pela Secretaria Estadual de Saúde, que não repassa a soma suficiente para comprar a quantidade necessária para atender a todos os pacientes que fazem a terapia quelante.

No Rio de Janeiro, Pierre Monte Alegre Júnior passa pelo mesmo problema. “Como sempre fiz o tratamento na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em Campinas (SP), o Desferal que uso vem de lá. Se não fosse por isso, teria que interromper o tratamento, porque o governo do Rio de Janeiro não compra mais este medicamento”.

A ABRASTA se esforça para solucionar este problema por meio de ofícios destinados à Secretaria da Saúde e ao Ministério da Saúde, e reuniões periódicas com representantes do governo em Brasília. Fique de olho e não deixe a falta de medicamentos dificultar o seu tratamento. Informe a ABRASTA, pois é para isto que estamos trabalhando incessantemente.


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