4ª Conferência Internacional de Talassemia - Encontro de pacientes
Em São Paulo, pacientes tiram dúvidas sobre a ressonância magnética e o uso
combinado do Ferriprox e do Desferal.
O Comitê Científico Nacional de Talassemia selecionou algumas questões
relevantes sobre a ressonância magnética e o uso combinado do Ferriprox e do
Desferal levantadas por pacientes durante a 4ª Conferência Internacional de
Talassemia, em São Paulo, no último dia 3 de maio. Se você não pôde participar,
confira aqui as perguntas e as respostas e envie suas dúvidas também!
Ressonancia Magnética
- Como é realizada a Ressonância Nuclear Magnética (RNM) do coração e do
fígado?
É traumático para a criança pequena? A Ressonância Nuclear
Magnética é um exame simples, sem dor para o paciente e tem duração de mais ou
menos 40 minutos. É realizada através de um aparelho próprio, que exige
repouso absoluto e colaboração do paciente. Há momentos em que deverá
permanecer em apnéia (parar de respirar) por alguns segundos, o que é possível
para qualquer paciente. Quando a pessoa sofre de claustrofobia (medo de
lugares fechados), é difícil realizar o exame, porém são casos raros. O
importante é que não há picada, não dói, não é injetado nenhum contraste, e o
mais importante é o benefício que isso proporciona ao paciente, ou seja, a
avaliação correta da quantidade de ferro em órgãos vitais como o fígado e o
coração.
- Como será feito o agendamento para a realização da Ressonância Nuclear
Magnética?
Os agendamentos devem ser feitos pelos médicos dos
pacientes, a partir de 17/05/2004, com Cláudia (ABRASTA), pelo telefone (11)
3361-9900.
- Qual a validade do pulso de Desferroxamina contínuo quando se
diagnostica Insuficiência Cardíaca Grave?
A terapia com infusão
contínua de desferrioxamine (24 horas por dia; 7 dias por semana) é
indispensável nos casos de insuficiência cardíaca grave por acúmulo de ferro.
Alguns médicos consideram que o uso combinado de Ferriprox pode ser de maior
ajuda.
- As alterações cardíacas causadas pelo excesso de ferro são
reversíveis?
Elas podem ser reversiveis se o ferro causou muito dano.
Ferriprox
- Qual o horário ideal para a administração do Ferriprox?
O
Ferriprox deve ser administrado 3 vezes ao dia, sem muito rigor quanto ao
horário. Após o café da manhã, o almoço e o jantar é mais cômodo e mais
difícil de esquecer.
- Paciente com hepatite C pode usar Ferriprox?
Pode. Não existe
nenhuma contra-indicação ao uso de Ferriprox em pacientes com hepatite C.
- Quando o paciente com Hepatite C não deve usar o L1?
Quando
houver aumento importante do nivel das transaminases séricas concomitante com
o uso do Ferriprox.
- Paciente com ferritina baixa não deve usar terapia combinada?
Se
houver pouco acúmulo de ferro, não se deve usar a terapia combinada, porque
ela pode tirar o ferro de órgãos que precisam do ferro para funcionar
adequadamente. O importante é que o acúmulo de ferro não seja medido somente
com a ferritina, mas, se possível, que seja medido também o ferro no fígado e
no coração.
Geral
- A queda abrupta da ferritina pode alterar funções como visão e
audição?
Não é a queda da ferritina que causa esses efeitos, mas sim, o
uso de Desferroxamina em doses maiores que as necessárias. É um sinal de
toxicidade da droga, que deverá ser suspensa ou ter a dosagem diminuída
dependendo da intensidade do quadro.
- Qual a conduta a ser tomada com pacientes talassêmicos
aloimunizados?
A conduta é fenotipar todos os pacientes, com o objetivo
de transfundir somente hemáceas compatíveis no sistema ABO-Rh, Kell etc. Além
disso, deverão ser usadas hemáceas lavadas e filtradas. O filtro é
imprescindível. Todos os pacientes devem exigir que o sangue recebido seja
seguro em todos os aspectos: sorologias negativas, lavagem de acordo com cada
serviço e a filtragem em todos os casos. Com isso, há diminuição dos riscos de
transmissão de doenças infecto-contagiosas, do risco de aloimunização, e do
risco de reação transfusional, como alergia/febre.
- Por que falta Desferroxamina em alguns Estados?
Alguns Estados
brasileiros possuem um número pequeno de pacientes, e as autoridades de saúde
local não dão a devida importância ao problema. Há necessidade de uma maior
mobilização dos pacientes e familiares, no sentido de cobrar seus direitos,
exigindo que a medicação seja disponibilizada. Diante de qualquer dúvida, a
ABRASTA deverá ser contactada, pois através de seu departamento jurídico a
entidade poderá apoiar os pacientes. Um maior número de pessoas deve ser
envolvido nesse processo: amigos, escola, Instituições não-governamentais,
comunidade etc, para que as autoridades sintam-se pressionadas a atendê-los.
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