Governo Federal organiza distribuição gratuita de filtros de sangue e bombas infusoras de Desferal


Por: Fernanda Carvalho Schneider

O Ministério da Saúde, por meio da Coordenação da Política Nacional do Sangue e Hemoderivados, está organizando o processo de fornecimento de bombas infusoras de Desferal, importadas da Itália, e filtros para transfusões de sangue, vindos dos Estados Unidos da América, na rede pública de saúde. Inicialmente o programa irá contemplar 500 pacientes já cadastrados e em tratamento nos serviços públicos de hematologia.

O trabalho consiste em adequar o sistema informatizado do Ministério da Saúde para atender as demandas do novo programa, que tem como desafio a integralidade da assistência aos portadores de talassemia e doença falciforme no Sistema Único de Saúde – SUS.

Além das bombas infusoras para uso domiciliar e filtros para remoção de leucócitos do sangue doado, o Programa de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme e outras Hemoglobinopatias irá fornecer medicação essencial - penicilina injetável e oral, analgésico, antiinflamatório e ácido fólico - tanto para os portadores de talassemia quanto para as pessoas com doença falciforme que necessitam de transfusões de sangue periódicas.

Com base nos dados de uma pesquisa realizada há pouco mais de um ano na hemorrede pública, os técnicos do SUS estão montando um cadastro nominal de portadores de talassemia e doenças falciformes em tratamento na hemorrede brasileira.

De acordo com Berenice Kikuchi, assessora técnica da Política Nacional de Sangue e Hemoderivados, esta primeira fase do trabalho deverá ser concluída daqui a cerca de um mês. “O que toma mais tempo é o sistema de organização dos processos que estão sendo criados visando atender as diretrizes de uma política nacional conforme a portaria GM 1391/05”, explica Kikuche.

A ABRASTA trabalha ativamente para contribuir com o governo e ajudar na agilidade do processo. A associação propôs um procedimento de seleção de pacientes a partir da análise do exame de ferritina e do Formulário 13. A proposta está sendo analisada pelos técnicos do SUS.

Para Kikuchi, a contribuição da ABRASTA tem sido fundamental no fornecimento de informações sobre os portadores de talassemia. Por se tratar de um programa inédito na rede pública para talassemia e doença falciforme, Kikuchi destaca a importância da contribuição da associação durante sua implantação. “A colaboração de associações como a ABRASTA será de fundamental importância na verificação da entrega destes materiais, do uso adequado destes suprimentos, bem como os processos que apresentarem necessidade de reformulação.”

A bomba infusora é usada para aplicação subcutânea de Desferal, medicamento a base de deferoxamina, substância que faz o corpo eliminar o ferro acumulado por causa das transfusões sanguíneas periódicas. Quando bem conservada, a bombinha, como é chamada pelos pacientes, pode ser usada por mais de cinco anos. Elas serão entregues em sistema de comodato, ou seja, empréstimo por tempo indeterminado.

Os filtros descartáveis são usados para filtrar os leucócitos presentes no sangue doado, evitando que o paciente transfundido sofra reações adversas. O número adquirido pelo governo, 30 mil unidades, pode abastecer os pacientes contemplados por um tempo estimado de 18 meses.


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