![]() Rodrigo |
Rodrigo Menezes Meu nome é Rodrigo Menezes, sou arquiteto. Nasci em Pernambuco, no dia 26 de julho de 1979. Tenho 25 anos e sou o primeiro filho do casal Maria do Carmo Menezes e Izinildo Calado. Sou portador de Talassemia Major e juntamente com minha irmã, Vanessa Menezes, portadora de Talassemia Intermediária, venho me tratando no Hemocentro de Pernambuco (Hemope), na cidade de Recife. Atualmente, somos atendidos pelo hematologista Aderson Araújo, um grande amigo! Quase que um pai. Quando cheguei pela primeira vez no Hemope, eu tinha apenas quatro meses de vida e fui atendido pela Drª Dione. Naquela época, meu atual médico, Dr. Aderson, era apenas um residente de medicina, que assumiu meu caso alguns meses depois. No início do tratamento, comecei tomando os comprimidos de ácido fólico por um longo período, depois passei a tomar transfusões de sangue a cada 21 dias e logo em seguida comecei com aplicação do quelante (deferoxamina). Foi quando começou o grande transtorno do meu tratamento. Por ser bastante jovem, era muito trabalhoso fazer as aplicações do quelante em mim, pois eu não aceitava tantas injeções na barriga. Por isso minha mãe ainda não fazia as aplicações, que tinham que ser feitas no próprio Hemope, na sala de QT. As enfermeiras sofriam comigo: eu mexia a barriga e empurrava as mãos delas. Às vezes, era necessário me imobilizar. Com o passar dos anos, fui me acostumando com todos estes procedimentos do tratamento. Então, minha mãe, uma grande guerreira, começou a fazer a aplicação do quelante em mim e na minha irmã. Nessa época, nossa qualidade de vida melhorou muito, pois estávamos fazendo a medicação em casa, como até hoje faço, sempre à noite, depois do trabalho. Ao longo dos anos fui fazendo amizades por todo o hemocentro. Por onde passo, as pessoas vêm falar comigo: de pacientes e médicos até os funcionários. Presenciei e observei muitas transformações no dia-a-dia do Hemope: médicos e funcionário que tive contato se aposentando e novatos chegando, e várias modificações estruturais na edificação. Hoje tenho uma grande rede de amigos pacientes (Fernando Sabino, Victor e Katarina, Eduardo, etc), médicos (Drª Silvana, Drª Carolina, Dr Aderson, etc), enfermeiras (Silvinha, Margarete, Rose, Nilzinha, Ana Claúdia, etc) e funcionários (Amiguinho, Picacildo, Barbosa, etc). Fora os amigos que faço a cada encontro da ABRASTA, de diversos estados (o pessoal de Goiás – gente fina!, Rondônia – o amigo Fabio, Rio, São Paulo – Pietro e a filha, super simpático, etc) Fiz a operação de retirada do baço, indicada por meu médico, mas se naquela época tivesse os conhecimentos que tenho hoje, pediria para não fazer. Antes da operação, fazia transfusões a cada 21 dias. Logo depois da cirurgia, demorou uns oito meses para eu tomar outra transfusão. Daí por diante, passei a fazer as transfusões a cada três meses, como faço até hoje. Estou aguardando a chegada em Recife do quelante oral (deferiprona) para começar uma nova fase do meu tratamento, fazendo uma quelação combinada (desferal + deferiprona). Em Julho de 2005, fui a São Paulo pela ABRASTA para fazer os exames no Hospital Albert Einstein. Fiz ressonância magnética, ecocardiograma e exames laboratoriais. Com o resultado desses exames vou poder saber a quantidade de ferro em vários órgãos, diferente da ferrentina. Agradeço a Deus por existir a ABRASTA! Se não fosse a ABRASTA por nós, quem seria? Há dois anos estou formado em arquitetura e urbanismo, tenho meu próprio escritório, adoro o que faço e faço por que amo. Estou começando a me preparar para minha tese de mestrado, em que vou falar sobre hemocentros. Sou uma pessoa batalhadora, adoro trabalhar, nunca deixei que a talassemia me dominasse, por isso sou o que sou hoje, pratico esporte e freqüento uma academia. Pretendo conquistar cada sonho que tenho e não vou desistir NUNCA. Agradeço primeiramente a Deus por me dar a vida maravilhosa que tenho, e em seguida à minha mãe, uma guerreira que deixou tudo de lado para apenas cuidar de seus filhos com talassemia. Por causa dela estou dando meu depoimento de vida, por ela que estou vivo! Obrigada, minha queria mãe, por você existir! Obrigado a todos que fazem da ABRASTA um sucesso. Além da Talassemia Major, nasci com a deficiência do hormônio do crescimento, por isso tomei vários hormônios (sempre acompanhado por um endocrinologista). Parei de tomar estes hormônios, porque na idade óssea não havia mais condições para o meu crescimento. Atualmente, aplico um gel de testosterona de 5% (hormônio sexual) e o puran T4 (tireóide), prescrito pelo endocrinologista. Além disso, sigo com o tratamento normal de um portador de Talassemia Major, transfusões e quelante. |
|
|
||