Depoimentos

 


Eduardo
Eduardo Maércio Fróes

O mineiro Eduardo Fróes, o Du, de 25 anos, é talassêmico major e se elegeu vereador de Cruzília (MG) nas últimas eleições. Ele foi o candidato mais votado da história da cidade, que vai completar, em dezembro, 55 anos e tem 14 mil habitantes.

“Desde criança, eu gostava de política, sempre fui engajado e apoiava candidatos. Nos últimos anos, eu já subia em palanque para discursar. Recebi o convite para participar da eleição anterior, mas não aceitei porque achava que não era a hora. Então, nesta última eleição, foi a primeira vez que me candidatei e, graças a Deus, fui bem-sucedido”.

Todo mês, ele viaja 400 quilômetros para fazer seu acompanhamento do Boldrini, em Campinas, e pegar o medicamento. Ele faz a terapia quelante combinada (Desferal e Ferriprox) há dois meses.

“Na minha cidade, as pessoas sabem que eu tenho um problema, mas não sabem o que é. Ninguém pode me ajudar, então, não tem por que saberem do problema. Só três amigos sabem o que eu tenho, eles até já prepararam o Desferal para mim”, disse.

Para conseguir sangue para as transfusões em uma cidade tão pequena, a mãe do Eduardo acionava os amigos. “Fazia um rodízio, ligava para saber quem poderia doar naquele mês, já tinha os amigos certos. Mas isso acabou quando o Hemominas padronizou o cuidado com o sangue, os exames que tinham de ser feitos. Agora, preciso retirar o sangue no pólo regional do Hemominas mais próximo da minha cidade, em Baependi, a 23 km de Cruzília. O sangue já vem apropriado para o uso. Normalmente, o Hemominas realiza uma coleta de sangue por ano na minha cidade”.

Tratamento correto

“O diagnóstico da talassemia major aconteceu já aos sete meses, mas o que demorou mesmo foi o tratamento ideal. Até 12 anos, eu recebia só as transfusões de sangue. Cheguei até a receber sangue do tipo errado! Por três anos, tomava o Desferal como se fosse injeção. Não havia outro caso semelhante ao meu na cidade, e nenhum médico sabia como usar esse medicamento. Antes disso, minha mãe procurou tratamento em Varginha, Juiz de Fora, Aiuruoca e no Rio de Janeiro, onde tiraram meu baço (esplenectomia) quando eu tinha quatro anos. Minha mãe não sabia que isso era desnecessário. Ela confiou no médico. Esse era um procedimento normal na época porque os profissionais não conheciam o tratamento ideal para a talassemia. Por isso, hoje eu tomo injeções de Benzetacil a cada 21 dias para fazer o papel do órgão que foi tirado.

O Dr. Luiz Cláudio Pereira Fernandes, que acompanhava o meu caso em Cruzília, tentava me ajudar de todas as formas, lia tudo sobre a doença e como tratar. E foi ele quem me avisou sobre um acampamento de pacientes com talassemia, organizado pela ABRASTA, que ia acontecer em Sapucaí-Mirim. Foi aí que eu e minha mãe começamos a ver qual era o tratamento ideal. Eu ganhei a bombinha do Sr. Ducke, um americano pai de paciente.

Hoje eu levo uma vida normal, saio com meus amigos, vou para a balada, pratico exercícios na academia e jogo bola. Terminei o ensino médio no ano passado e agora estou pensando em fazer Direito. A talassemia não implica em nada, não fiquei deprimido.

O vereador eleito eleito pretende realizar um trabalho voltado, principalmente, à juventude. Ele pretende trabalhar para levar cursos profissionalizantes e até de nível superior à cidade porque hoje os jovens têm de sair para estudar em outras cidades. Ele também quer levar cultura e lazer a esses jovens.