![]() Ana Lúcia |
Tenho 36 anos, e quando a talassemia foi diagnosticada já
tinha meus sete anos. Na época, tive que ouvir muitos inconvenientes,
entre eles que morreria na minha adolescência, mas sempre tive uma
esperança muito grande de que dias melhores viriam e, com isso, não
me desanimava. Passei a fase de adolescência e aí ouvi que
não ia conseguir ser mãe. Isso me fez lutar ainda mais, pois
sempre tive esse sonho. Embora o tratamento envolva transfusões periódicas, onde você sempre tem que faltar à aula ou ao trabalho, graças a Deus nunca tive maiores problemas por isso. Sempre fiz o tratamento corretamente e por isso pude me desenvolver normalmente, me tornei mulher, me casei e tenho uma linda menina saudável. Para que possamos receber transfusões, precisamos de doadores, e eu sempre consegui isso expondo a talassemia. Não vou dizer que não passei por preconceitos, fui até apontada na rua, mas nunca deixei que isso me afetasse, pois o que me importa é conseguir que meu tratamento siga em frente. Sei que isso é muito difícil para a maior parte dos talassêmicos aceitarem, mas não podemos deixar o tratamento pela metade, muito pelo contrário, não podemos nos considerar doentes, somos tão ou mais capazes do que qualquer pessoa que não tenha talassemia. Ana Lúcia Torso |